MSC ARMONIA - BEM-VINDOS A BORDO
por Andrea Conte

Você deve estar pensando que “herrar é umano“, porém esse Armonia é realmente sem “h“. Falo de uma das maravilhas da construção naval, o MSC Armonia, com suas 58.600 toneladas, nada menos que 251 metros de comprimento e quase 30 metros de largura. Ele navega pela costa brasileira durante todo o verão, para a felicidade de muitos brasileiros que, como eu, embarcam nesse sonho.

Imaginem uma orquestra... É isso que ele se parece, perfeito na elegância de suas áreas comuns, impecável nas suas suítes, no seu serviço de bordo e em seus três restaurantes, com os já conhecidos cinco turnos de deliciosas comidas, regados a fabulosos vinhos italianos e, por que não, por aquela cerveja geladíssima, comum no dia a dia dos brasileiros mais exigentes?

Vamos nesta viagem, saindo de Santos ao entardecer, acompanhados pelo pôr-do-sol visto por trás da majestosa chaminé, ao som de três apitos que nos levam para qualquer parte do planeta através da imaginação e com os olhos vidrados num horizonte que é logo ali.

Continuo no deque superior do Armonia, junto com mais 2 mil passageiros que se fartam da mesma beleza, agora já anoitecendo. Somos embalados pelo som do deslizar sobre o mar e o vento que sopra da proa do navio vem carregado de cheiro de mar, nos remetendo sem dúvida nenhuma a ser um Leonardo Di Caprio (vamos combinar que um pouco mais bonitos!).

Não soa nenhum sino, mas eu já sei que é meu turno de jantar. Lá vou eu, com o estômago roncando e a imaginação a mil, pensando no que o chef preparou hoje, para esta noite de gala, onde o comandante aperta cordialmente a mão de todos os passageiros e agradece a sua presença a bordo.

Deliciosa salada de camarões com molho rosado, lagosta grelhada com molho de manteiga, vitela fiada com legumes cuidadosamente torneados, champanhe e uma fabulosa cassata siciliana toda iluminada com fogos de artifício, com o “glamour“ de um jantar palaciano.

Com alguns quilinhos a mais e as bochechas levemente rosadas, me dirijo para o teatro, onde confortavelmente assisto a um show de mágica, encantador e surpreendente. Hora de nanar para mim, os mais jovens seguem noite adentro na discoteca do navio ou no bufê majestoso, montado à meia-noite no convés do navio. Quando os primeiros raios de sol entram pela porta da varanda da suíte já posso ver o cartão postal do Brasil: o Pão de Açúcar! Chegamos ao Rio de Janeiro.

Me farto em um café da manhã repleto de natureza e lá vou eu, dar uma volta pela praia de Copacabana e tomar um chope geladinho no famoso bar onde Vinícius viu a garota de Ipanema – que o mundo canta até hoje em todos os idiomas.

No final da tarde, nos despedimos. Ainda nos esperam Búzios, Arraial do Cabo e Ilhabela. Temos mais uma noite de alegria, desta feita no cassino... o tilintar do caça níqueis e o seu som fazem as horas passarem rapidamente. Com um pouco de sorte, enchemos os bolsos ou, pelo menos, não os esvaziamos.

Deixo de falar de Búzios e seu calçadão de pedra para contar a vocês sobre o azul das águas da Praia do Forno em Arraial do Cabo - cabo esse que é frio, porém imperdível, a começar da areia branca de suas praias e terminar com o agressivo conjunto de rochas de seu litoral.

Que rotina gostosa! Quero dormir e acordar, comer e beber, andar e nadar, tudo sem sair do lugar... Que lugar? Acho que não preciso nem falar.

Última parada: uma das maiores ilhas de nosso litoral, com trilhas ecológicas, recantos como o La Maison Joly, onde traí os chefes do navio comendo deliciosos Ovos Joly, e um almoço com o menu da Rainha Silvia da Suécia - composto por uma salada servida em uma travessa de gelo, com folhas fresquíssimas. Tudo isso embalado ao som da Bossa Nova executada por Júnior Joly, proprietário do local, olhando para o canal onde está fundeado o realizador de sonhos: o Armonia.

Este ano meu sonho já acabou, mas certeiramente já estou sonhando com o próximo!

Andrea Conte é o proprietário da rede de Restaurantes Al Mare e Dom Pepe Di Napoli