FEIRAS DE ARTE DA CHINA
Por Ricard Akagawa
A abertura da China para o Ocidente trouxe gratas surpresas também no campo das artes. Depois da virada do milênio, tivemos acesso à arte contemporânea oriental, que até então estava restrita ao mercado local.
Esta expressiva produção artística contemporânea começou a se fortalecer a partir da década de 1990. Neste período, obras de qualidade começaram a aparecer nos leilões de casas consagradas como a Sotheby’s, Christie’s e Phillips de Pury & Company, sendo bem aceitas pelo Ocidente. As obras desta fase são as mais cobiçadas, pois representam a quebra de paradigmas, a transição e a revolução da arte contemporânea chinesa. Hoje, estas obras são objetos de desejo dos grandes colecionadores.
Com quase 20 anos de produção, a arte chinesa ganhou força, volume e novos artistas. O Ocidente passou a absorvê-la e admirá-la, já que ela representa uma outra maneira de apreciar a arte, algo novo até então desconhecido para todos nós.
Quando se cria uma nova demanda e um certo volume de mercado, surgem então as feiras de arte especializadas naquele determinado segmento. Por conta disso, recentemente foram criadas as feiras de arte na China: a Art HK (Hong Kong), a ArtBeijing (Beijing) e a SH Contemporary (Shangai). Tive a oportunidade de visitá-las este ano. A feira de Hong Kong acontece em maio, e as outras duas em setembro, primeiro em Beijing e depois em Shangai.
As feiras trazem um material diferente do que já conhecemos através dos leilões. Obras de artistas consagrados – como Yue Minjum, Zeng Fanzhi, Zhang Xiaogang e Fanj Lijun, por exemplo – já estão nas mãos de grandes colecionadores, galerias e museus e estão sendo comercializados de outras formas. Já são clássicos da arte contemporânea chinesa. Porém, novos artistas com excelentes obras, como Gui Xiuwen, Feng Zhengjie, Liu Ye, estão presentes e sendo muito procurados.
O público presente é o mesmo das outras feiras internacionais – curadores, colecionadores e galeristas em busca de novidades e de novos contatos. Grandes galerias ocidentais já estão em vários pontos da Ásia, como a Arario Gallery, a Pace, a Michael Schultz e a Chinese Contemporary, que representa inúmeros artistas de qualidade e expressão como Wei Dong, Han Yajuan, Luo Brothers, Yue Minjun e Zhao Bo.
Visitar as feiras chinesas é uma oportunidade de pesquisar, conhecer o que de mais novo está no mercado. Além disso, eventos como estes funcionam como um grande intercâmbio. As feiras expõem a sua produção local, dando credibilidade aos seus artistas e, em contra-partida, abrem suas portas para a arte internacional e ocidental. Galeristas do Ocidente e do Oriente têm a oportunidade de estabelecer contatos, comprar e vender, trocar informações e interar-se a respeito do que há de novo e de alta qualidade no mundo.
A arte chinesa contemporânea, com suas cores fortes e elementos surpreendentes, é muito peculiar; é o reflexo de valores e contextos muito diferentes dos padrões ocidentais. Por conta disso, visitar o lugar onde ela foi pensada e produzida é fundamental, para que possamos conhecer esta realidade, vivenciar as influências e poder compreender todos os elementos subjetivos que compõem o resultado final destes trabalhos. Estar na China é ter acesso às referências do artista para valorizar a sua obra como um todo, já que esta é a soma de elementos históricos, interferências e informações cotidianas.
Por tudo isso vale a pena visitar a China e suas feiras de arte. Não são, em si, feiras de destaque internacional, mas nos abrem os olhos para um mundo novo de informação e cultura, tão contrastante com a nossa realidade. |