ZOO ART FAIR - LONDON
Por Eduardo Leme

A cidade de Londres não tinha nenhuma expressiva feira internacional de arte contemporânea até a criação da Frieze, em 2003. A iniciativa foi um sucesso desde o início, a ponto de se tornar uma das referências mundiais e também de inspirar a criação de uma feira paralela. Foi então que surgiu a Zoo, que em 2008 chega à sua quarta edição.

A Zoo leva este nome porque, inicialmente, acontecia em áreas dentro do Zoológico de Londres. Na primeira edição contou apenas com galerias inglesas de arte contemporânea, de médio porte. Em sua segunda versão houve um projeto em parceria com outra feira de arte contemporânea chamada Volta, que acontece paralelamente à feira de Basel, quando foram convidadas, além das inglesas, galerias mexicanas e alemãs.

No seu terceiro ano a feira saiu do zoológico – um local mais precário, apesar de bastante pitoresco – e foi transferida para o The Royal Academy of Arts, um espaço super bacana no coração de Londres. Nesta edição, participaram galerias do mundo todo e o Brasil foi representado pela Gentil Carioca, do Rio de Janeiro. Em 2008, a Zoo chega à sua quarta edição. Desta vez, a Galeria Leme foi aceita, representará seus artistas e, evidentemente, o Brasil. Ao mesmo tempo, a Frieze conta com outras cinco galerias brasileiras.

A Zoo é uma feira extremamente contemporânea, com galerias mais jovens no mercado, escolhidas a dedo através de um processo de seleção. Esta feira vem de encontro com a filosofia da Galeria Leme: apresentar novos artistas, em começo de carreira ou já estabelecidos, porém com uma produção bastante contemporânea. Curadores e grandes colecionadores freqüentam a feira em busca desse conjunto, e é por isso que, para nós, é fundamental estar lá.

Em relação ao tamanho, a diferença entre Frieze e Zoo é muito grande. Enquanto a primeira é enorme, a paralela é mais discreta, porém mais provocativa. O interessante é que colecionadores e galerias já estabelecidas no mercado patrocinam a Zoo, endossando a sua qualidade e importância, enxergando o potencial da feira como um celeiro de artistas e idéias.

Ambas acontecem todos os anos, em outubro, e recebem praticamente os mesmos freqüentadores. Aliás, este é um fenômeno recente: as grandes feiras internacionais acabam fomentando todo o mercado de arte local, com exposições menores e paralelas e eventos em galerias e museus da região. A importância de participar destas feiras é dar maior visibilidade à Galeria e aos artistas por nós representados e estabelecer contatos e parcerias com curadores, galerias e colecionadores do mundo todo.

Minha proposta, desde o início da Galeria Leme, é promover jovens artistas contemporâneos, brasileiros e internacionais, e incentivar os novos colecionadores de arte. Feiras como a Zoo dão a oportunidade de ir de encontro a este objetivo, levando as obras a um público que não conhece esta fatia do mercado de arte do Brasil.

Este ano, por conta da turbulência na economia mundial pela qual estamos passando, acredito que o mercado estará mais retraído e o movimento de compra e venda será menor. Ainda assim, vale o esforço de divulgar e expor os artistas e suas obras, levando o nome da Galeria Leme e de seu time adiante.

Quando se trata de arte, o retorno vem a médio e longo prazo, resultado de um trabalho sério, maturado passo a passo e sempre focado no objetivo maior que é levar a arte para um número cada vez maior de pessoas. Por isso, a participação das galerias brasileiras no exterior é fundamental.