FAURÉ
Objetos de desejo da Art Deco
Por Clara Sancovsky
Na década de 1970, quando fui atraída por tudo que fosse da época Art Deco e depois de muita pesquisa para localizar o que representaria este período, tive como Bíblia o livro “The World of ArtDeco” de Bevis Hillier, sobre uma exposição no Minneapolis Institute of Arts, na ocasião uma das poucas literaturas existentes.
Com fotografias desde arquitetura, móveis, moda, jóias, esculturas, o que mais me empolgou foram fotos de vasos em esmalte de Camille Fauré. Aquilo se tornou, para mim, um objeto de desejo. Mergulhei no Art Deco e qual não foi a minha grande satisfação ao adquirir o primeiro vaso Camille Fauré para nossa coleção! Quanto mais eu olhava o vaso, mais desejava possuir outros. Esta é a sensação que transmite a obra de Camille Fauré. Ao longo dos anos, tendo contato com vários colecionadores, eu percebo que isso acontece com eles também.
Limoges, onde era o atelier de Camille Fauré, tem sido o centro de trabalhos em esmalte desde o século XII, quando as obras tinham exclusivamente caráter religioso.
No início do século XX Camille Fauré iniciou sua carreira em esmalte fazendo placas com nomes de rua e, posteriormente, placas de anúncios comerciais, o que facilitou a partida para a arte decorativa.
A grande inovação nos esmaltes de Fauré foi a técnica usada e os
desenhos. Ele mudou a técnica
utilizando o esmalte em pasta, sendo aplicado com espátula em vez de pincel. Isso deu às obras uma tridimencionalidade
nunca vista antes.
Os desenhos, tanto da linha floral como a geométrica, se baseavam nos estilos da moda e eram aplicados em vasos, jóias e placas com finalidade puramente decorativa.
Com a filha Andrée na direção, Fauré soube se rodear dos melhores artesãos, muitos deles resgatados da arte de porcelana tão conhecida em Limoges.
Participou de Feiras Internacionais em Lyon e Paris. As peças eram adquiridas por grandes lojas de presentes na França e exportadas para muitos países, inclusive ao Brasil. Quanto mais elaborada e cara a peça era, mais tinha demanda.
Qualidade extrema da peça era o leit motif do atelier. Sua reputação e detalhada produção, hoje espalhada pelo mundo, é muito disputada por museus, colecionadores e antiquários.
Outros contemporâneos de Camille Fauré foram Alexandre Marty, que durante um ano foi sócio de Camille, Sarlandie, entre outros.
Camille Fauré nasceu em Perigeux, em 16 de novembro de 1874 e morreu em Limoges, no ano de 1956.
Recentemente, em 2007, Alberto Shayo, autor dos
livros “Chiparus Máster of Art Deco” e “Ferdinand Preiss Art Deco Sculptor” lançou o livro “Camille Fauré Limoges Art Deco Emamels – The Geometry of Joy”,
detalhando tudo sobre a obra e execução, com imagens maravilhosas que retratam uma enorme
diversidade de peças. |